Recorde do teu Verdadeiro Ser!

O TERCEIRO MILÊNIO – O NOVO MUNDO – Huberto Rohden

TODOS UNIDOS POR UM MUNDO MELHOR – UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA

O TERCEIRO MILÊNIO – O NOVO MUNDO

 

Huberto Rohden

No quinto evangelho do apóstolo Tomé, recém encontrado no Egito, lemos o seguinte:

“Os discípulos perguntaram a Jesus, o Cristo :

Mestre, quando começa o novo mundo de que tu falas?

E quando é que vem o Reino de Deus?

E Jesus respondeu: o Novo Mundo já começou e o Reino de Deus, já veio, porque o Reino de Deus está dentro de vós, mas vós não o vistes!”…

 

A mesma situação de hoje à dois mil anos atrás… a mesmíssima situação!

O Novo Mundo já veio! Ele não vem com a Era de Aquário e também não vem com o terceiro milênio! Estão escrevendo livros de uma ingenuidade desesperadora; de que o novo mundo vai começar no terceiro milênio, por um toque de magia: aperta-se um botão e lá sai a Nova Humanidade… não existe tal técnica!

O Mestre disse: “O Novo Mundo já começou e o Reino de Deus já está presente dentro de cada um de vós!”… estais com os olhos fechados, estais com os canais obstruídos! Abri os vosso olhos, os olhos do vosso Eu Divino, desobstruís os vosso canais e o Reino de Deus está aqui!… A mesmíssima situação de hoje!

Pensam que a nova humanidade, que o Reino de Deus depende dos astros, da astrologia, que depende dos tempos e dos espaços… Não tem nada que ver com isso! Ele já tinha vindo no primeiro século… Imaginem o que mestre Lucas nos escreve nos Atos dos Apóstolos…Ele diz que todos os discípulos de Jesus – que eram milhares – porque só no primeiro dia se converteram 3000 e no segundo dia mais 5000… – eram milhares já no ano 33 da nossa era. Então o mestre Lucas diz que todos os discípulos de Jesus celebravam os seus ágapes de confraternização, eram todos um só coração e uma só alma, não havia nem um indigente entre eles porque os que os que tinham demais repartiam do seu demais para os que tinham de menos, e todos tomavam as suas refeições na alegria de seus corações! Estava resolvido o problema econômico-social naquele tempo! Porque a experiência da paternidade única de Deus tinha criado a vivência da fraternidade universal entre os homens! Os dois grandes mandamentos do Cristo – a experiência da paternidade única de Deus, produz a vivência da fraternidade universal dos homens!

Mas, falta a base, falta árvore e não pode haver fruto… Por que a experiência da paternidade única de Deus que é a tremenda vertical da mística, não existe!

E como é que vamos ter os frutos da vivência e da fraternidade universal dos homens – que são os frutos?… Vocês não podem ter uma laranja se não plantarem uma laranjeira!…Sim, vocês podem ir a uma quitanda e comprar uma laranja de celulóide. Hoje, fabricamos laranjas de celulóide perfeitamente iguais às laranjas naturais. Há laranjas de plástico por toda parte que vocês podem comprar. Mas não são laranjas verdadeiras! Nós não podemos fabricar uma única laranja com toda a nossa ciência. Não podemos fabricar nada! Só podemos imitar e fazer camuflagens da natureza. Se vocês querem uma laranja de verdade, mas “verdadeira”, não há nenhuma possibilidade a não ser plantando uma laranjeira! O que nós fabricamos tecnologicamente é pura mentira; parece verdade, mas é mentira! A mesma coisa acontece no mundo espiritual: como é que nós podemos esperar a vivência da fraternidade universal dos homens – que todos querem – mas se falta a laranjeira? Queremos as laranjas; mas, não queremos saber da laranjeira, por que dizemos que isto é metafísica, isto é mística. Não vamos tratar da mística, vamos tratar das coisas pragmáticas de cada dia!

Há pouco tempo esteve em minha casa um brasileiro que a vinte ou trinta anos vive nos Estados Unidos, professor de uma universidade; todo americanizados, pragmatizado, só conhece coisas pragmáticas… Ele quer as laranjas, mas detesta as laranjeiras. E ele me disse:

-É horrível! A humanidade que está numa situação pavorosa!

Tristão de Ataíde disse em um de seus livros:

“Dois terços da humanidade estão morrendo de fome e um terço está morrendo de indigestão, por comer demais!”

Isso é uma pura verdade!

E disse aquele senhor:

– Nós poderíamos resolver esse problema. Se a ONU resolvesse abrir duas estradas largas, ao longo do Equador, do norte e do Sul e a cada manhã, milhares de caminhões despejassem mantimentos para cada lado do Equador e os habitantes de cada lado pudessem buscar os seus mantimentos, a situação da humanidade estaria resolvida.

E eu disse: Meu amigo, meus pêsames pela sua ignorância! O Senhor pensa que o problema principal da humanidade é um problema estomacal? O Senhor pensa que enchendo o estomago diariamente de todos os habitantes, os homens seriam todos felizes e irmãos entre si? Iam brigar do mesmo modo; iam brigar de barriga cheia, como agora estão brigando de barriga vazia! O problema não é um problema estomacal: é um problema mental e espiritual. Não adianta encher cada dia o estomago para que todo mundo seja feliz! Porque os ricaços são os mais infelizes; não são os pobres que são os mais infelizes! Os que morrem de indigestão é que são os mais infelizes, os que morrem de indigestão é que são os mais infelizes e não aqueles que estão morrendo de fome! É claro que o problema material é necessário, mas não é o principal: falta-nos a solução do problema mental e do problema espiritual. Pensamos erradamente e por isso vivemos errada e desgraçadamente!

Mas o problema já estava resolvido no primeiro século! Os discípulos de Jesus que tinham recebido a invasão do Espírito Santo, do seu eu divino, já tinham resolvido este problema! Viviam todos em perfeita fraternidade, na alegria do seu coração! Os problemas estavam resolvidos no cristianismo primitivo. E por que não se resolveu hoje? Porque nós não estamos na mensagem do Cristo, nós nada sabemos do Cristo.

Gandhi falou a verdade ao responder à todos os missionários cristão que o queriam converter ao seu cristianismo teológico:

“Eu aceito Cristo e o seu Evangelho, não aceito o vosso cristianismo!” – Assim falou o melhor dos cristãos, como disse o escritor inglês, que era pagão, Albert Schweitzer, filho de um pastor evangélico cristão, escreve em um de seus livros:

“Nós, os cristãos, inventamos um soro, e injetamos este soro aos homens e quem é vacinado com o soro do nosso cristianismo não aceita mais o Cristo”.

Quem é vacinado com o soro do nosso cristianismo, esse está imunizado contra o espírito do Cristo. Não aceita mais o Cristo, porque já é cristão! Nessa situação nós estamos. De fato, o cristianismo a partir do século quarto – por que o cristianismo verdadeiro só viveu três séculos – ele foi assassinado no ano 313 por Constantino Magno, o primeiro imperador cristão. Constantino Magno assassinou a cristicidade do Cristo e isto é fato histórico, porque no ano 313, Constantino Magno, o pretenso imperador cristão, deu liberdade aos cristãos das catacumbas e fez muito bem, precisavam mesmo de liberdade. Mas, ele deu três presentes de gregos, que desgraçaram o cristianismo até hoje. Nós estamos envenenados pelos três presentes gregos que Constantino Magno deu aos cristãos verdadeiros. Constantino Magno convidou os discípulos do Cristo de saírem das catacumbas e fez muito bem e tomarem parte da vida do Império Romano, no ano de 313. E os discípulos de Cristo aceitaram o convite. E ele lhes deu três presentes gregos – presentes gregos são presentes perigosos – armas, política e dinheiro. Porque os cristãos das catacumbas, não tinham armas, não tinham política, não tinham dinheiro, mas eram felizes. Mas Constantino Magno disse: Isso não é vida, debaixo da terra! Vamos viver de sentimentos na superfície da terra! E lhes deu três coisas importantes: armas para matar seus inimigos, política para enganar seus amigos e dinheiro para comprar e vender consciências. E nós estamos nesse cristianismo até hoje. O nosso cristianismo desde o quarto século é precisamente isso: armas para matar nossos inimigos, política para enganar nossos amigos e dinheiro para comprar e vender consciências. Nós estamos fazendo isso. Desde o ano 313, nós estamos vivendo no cristianismo dos homens e não estamos vivendo na cristicidade do Cristo. E não há nenhuma solução! Imagine a que monstruosidade os cristãos do século XX chegaram… monstruosidades! Duas nações cristãs poderosas deste globo, uma para cá do Atlântico e outra para lá do Atlântico… As nações mais poderosas do mundo o que é que estão fazendo? Ambas são cristãs, ambas pertencem a uma igreja cristã…estão fabricando as armas mais modernas, metralhadoras de alta precisão, aviões de bombardeio e estão vendendo isto aos árabes para matar os judeus e aos judeus para matar os árabes… Duas nações praticam a indústria bélica em auto grau em pleno século XX – mas são todos cristãos! Porque fazem isso? Por amor ao excremento de Satanás! – na expressão de Papine, o velho escritor italiano que chama o dinheiro de o excremento de Satanás. Todos querem ganhar dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro e mais dinheiro! Com o dinheiro a gente fabrica armas e com as armas a gente mata os seus inimigos.

Esse presente grego nos veio do quarto século… Constantino Magno começou a distribuir este presente grego e nós estamos usando até hoje. Mas… Estamos pregando o cristianismo em todas as igrejas! Nos domingos as igrejas estão cheias de cristãos e os pregadores falam muito bem, ótimos oradores! Pregando o cristianismo em palavras e assassinando o cristianismo pela sua própria vida! Isto é uma monstruosidade! Vivemos num cristianismo monstruosamente criminoso! E nós estamos de olhos fechados assistindo a tudo isto!

Arnold Toembi, o grande historiador britânico recentemente falecido, escreve num de seus livros: Se o deus da nossa teologia existe, então, ele é o maior monstro do Universo! Está lá nos livros de Toembi, que era da Igreja anglicana de Londres. Esse é o Deus que nós inventamos!

Todos matam os seus inimigos em nome de Deus, em nome do Cristo! Apelam para Deus, apelam para o Cristo, porque é preciso matar os inimigos porque eles estão numa “guerra injusta” e nós estamos numa “guerra justa”. Mas do outro lado eles dizem a mesma coisa! Essa é a monstruosidade que nós estamos vivendo desde o quarto século.

Meus amigos será que não há solução? Não! Não há solução de fora para dentro. Haveria de dentro para fora, mas isto, nós não queremos. Não há 1% da cristandade – européia ou americana – que queira uma solução de dentro para fora, porque isto é muito doloroso, isto implica com o nosso querido egoísmo, com a nossa velha ganância, com toda a velha humanidade que nós não queremos integrar na nova humanidade.

O Gênesis diz que a Terra foi maldita por causa do homem! Maldita seja a Terra por causa de ti! A maldição ao homem adâmico! Mas nós ainda estamos no homem adâmico, nós ainda não saímos do homem adâmico, que é o ego! Mas, Lucas diz que lá os discípulos de Jesus, de Jerusalém, viviam todos em perfeita fraternidade, alegria Universal! Não valia mais a maldição “do suor do teu rosto comerás o teu pão!” Isso é a maldição do ego adâmico! Lucas diz que todos eles comiam o seu pão, na alegria do seu coração. Imaginem: o suor do rosto do Gênesis se converteu na alegria do seu coração. Não havia um só indigente entre eles porque não havia nem ricos e nem pobres; todos tinham o suficiente e ninguém tinha luxo e ninguém tinha indigestão! A solução já existia no primeiro século, em escala pequena, é verdade! E durou três séculos esta solução do problema econômico-social e do problema da fraternidade universal dos homens, porque, um pequeno grupo de iniciados – apenas cento e vinte pessoas – tinha a experiência da paternidade única de Deus. Entrou na verticalidade profunda da mística: Amarás o senhor teu Deus com toda a tua alma, com toda a tua mente, com todo o teu coração e com toda as tuas forças! Este, diz o Mestre, é o maior e o primeiro de todos os mandamentos…Mas, quem é que aceitou isto? Foi aceito durante três séculos e foi renegado a partir daí! E nós estamos na apostasia da mensagem do Cristo.

Gandhi tinha razão: “Eu aceito o Cristo e o seu evangelho, mas não aceito o vosso cristianismo!”. Isso diz o mais cristão dos cristãos do século XX, como diz o escritor inglês e que oficialmente nem era cristão. Era 100% cristificado, mas não era oficialmente cristianizado. Os missionários o queriam cristianizar, mas ele já estava muito mais cristificado do que todos os missionários que o queriam cristianizar e por isso ele nunca aceitou o nosso cristianismo. E nós? Onde é que estamos? Estamos no cristianismo ou estamos na cristicidade? Este é o grande problema?

Enquanto nós não sairmos da escravidão do nosso velho ego, podemos estar em todos os cristianismos do mundo, seja qual for a denominação desse cristianismo, é tudo farinha do mesmo saco, não adianta nada! É preciso superar, ultrapassar, transcender todos os cristianismos de qualquer denominação, não faço exceção para nenhum, seja qual for, porque os cristianismos que querem laranja, mas não querem a laranjeira… Fabricam laranjas artificiais, mas que são eternas mentiras… Não querem a experiência da paternidade única de Deus, mas querem a fraternidade universal dos homens, mas é claro. Todo mundo quer! Isso se fala nos congressos, nos parlamentos, nos comícios… é preciso a confraternização universal, é preciso abolir a guerra, é preciso abolir todas as maldades! Muito bem! Estamos de acordo! Mas de que modo? De fora para dentro, como vocês querem ou de dentro para fora como nós queremos?

Aqui nós estamos reunidos na semana santa, não para tratar de algum cristianismo que infelizmente está em crise – todo cristianismo ocidental está em crise – …Os mais avançados não querem mais saber de nenhum tipo de cristianismo e fazem muito bem! Alguns depois de rejeitarem o cristianismo tradicional de Constantino Magno, que ele inventou no quarto século, abrem os olhos para outra coisa que não é cristianismo – eles querem ter a experiência de cristicidade. Esses poucos ainda não formam 1% da humanidade cristã do ocidente. Não há 1% destes cristificados! Mas existem! Existem e sempre existiram; secretamente sempre existiram! Os grandes iniciados, os grandes místicos, sempre foram cristificados, porque toda alma humana – diz Tertualiano – é cristica por sua própria natureza! Mas estes cristificados sempre foram considerados hereges, ateus, dissidentes, apostatas, muitos foram para as fogueiras, outros foram excomungados porque queriam ser crísticos e os cristão não permitiam tal coisa. Os cristãos queriam cristianismo e eles não davam muita importância ao “cristianismo dominante”, mas queriam a cristicidade da sua vida, isto é, experiência da paternidade única de Deus e vivência da fraternidade universal dos homens. Isto é o que eles entendiam por cristicidade em toda a sua plenitude; mas a cristicidade não é tolerada na face da terra, sobretudo no cristianismo ocidental, porque não usa armas, não usa política e não usa dinheiro. Usa, mas não baseia sua vida nessas três coisas! Pode usar essas três coisas: armas não para matar os inimigos, política não para enganar seus amigos, dinheiro não para comprar e vender consciências…Mas para outros fins externos pode usar essas coisas.

Mas… nós vivemos do excremento do Satanás – como diz Papini – dinheiro é tudo! Dinheiro resolve todos os problemas! E apostatamos do Cristo por amor ao dinheiro! E no tempo dele, ele ainda disse:

“Não podeis servir a dois senhores! Não podeis servir a Deus e ao dinheiro! “

Nós podemos usar, mas não podemos servir! Porque quem serve, serve e se confessa escravo; se nós servimos ao dinheiro, declaramos que o dinheiro é o nosso senhor e soberano de nosso Deus. Isto é servir. Não podeis servir ao dinheiro! Ele não disse que o dinheiro não nos podia servir… Se o dinheiro nos serve, nós somos o senhor do dinheiro! Mas se nós servimos ao dinheiro, é claro que o dinheiro é o nosso senhor e soberano e cometemos todos os crimes por amor à sua majestade satânica: o dinheiro! É justamente isso o que estamos fazendo! Toda a cristandade está fazendo isso! Todo ocidente sucumbiu a sua majestade satânica, o excremento de satanás, o dinheiro. E por isso, todos os crimes são permitidos e nós justificamos todos os crimes por causa disso. Esse é o nosso cristianismo!

Já é tempo que apareçam ao menos alguns pioneiros corajosos, que saiam dessa hipnose coletiva da humanidade! É uma verdadeira hipnose, uma alucinação coletiva que domina toda a humanidade, sobretudo a humanidade cristã do ocidente. Alguém deve ter a coragem de dizer: Eu não acompanho este movimento! Eu quero voltar à cristicidade do Mestre e não aceito o cristianismo dominante, embora seja justificado por todos os teólogos do mundo!

Nós estamos nessa situação!

A nova humanidade, o novo mundo, o Reino de Deus – disse o mestre – não vem com observâncias, não se pode dizer ei-lo aqui, ei-lo acolá! Não existe tal Reino de Deus localizado no tempo e no espaço! O Reino de Deus não é um fenômeno externo que se possa ver, analisar, observar...

Ele disse: O Reino de Deus está dentro de vós! Dentro de cada um de vós! Mas vós não o descobristes! Vós não descobristes a presença do Reino de Deus e falais dele como numa ausência. Não há nenhuma ausência do Reino de Deus! A íntima natureza do homem é do Reino de Deus. O homem é crístico e divino por sua própria natureza! Nós não descobrimos a nossa cristicidade, não descobrimos a nossa divindade e por isso estamos diante de problemas sem solução.

Não seria tempo para que ao menos um ou outro tomasse a sério o descobrimento do Reino de Deus dentro de si? A experiência da paternidade única de Deus que é a grande vertical do primeiro mandamento da mística e se eles tivessem a experiência, não a crença; todo mundo tem a crença disto, mas a experiência é uma coisa rara. É preciso ultrapassar a crença infantil e entrar na experiência adulta da presença de Deus, da realidade de Deus em nós, do nosso Cristo interno. Experiência é outra coisa do que crença. Da crença há um caminho para a descrença e um regresso para a crença; é um eterno vai e vem da crença para a descrença e vice-e-versa. O que eu creio hoje eu posso descrer amanhã. Isso é muito fácil! Quando se ouve um discurso bem feito sobre crença, se diz: “Eu sou um crente!” Depois, vem um ateu e diz: “Isso é tudo bobagem! Essa coisa de Deus não existe!” Aí passam para a descrença! Eternos cata-ventos… Joguetes de opiniões públicas! Crença e descrença, descrença e crença… Isso é o que acontece! Crença não dá segurança, crença não dá certeza nenhuma… é moda! Em certos países é moda ser crente e em outros países é moda ser descrente, mas, no fundo, é tudo a mesma coisa! Mas…

Quando alguém ultrapassa a crença e entra na experiência de Deus, acabou-se o regresso! Dá experiência não há ida e volta, mas da crença há ida e volta. Quem tem experiência de Deus tem a experiência por toda a eternidade! Eu não posso ser experiente hoje e ser inexperiente amanhã. Eu não posso saber por experiência o que é Deus e amanhã ignorar; isso não é possível, não há caminho de ida e volta para a experiência – só há um caminho de ida e esse caminho de ida nos dá segurança, felicidade profunda e indestrutível. Experiência da presença de Deus em mim!… Eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai… isto é experiência.

Pela meditação, pelo retiro espiritual, nós temos uma só finalidade: adquirir a experiência da realidade divina dentro de nós mesmos. Muitos pensam que tem a experiência e se iludem. Eles fabricam uma experiência imaginaria, mas não tem a experiência! Isso logo se vê na vida externa deles! Se alguém tem experiência verdadeira e genuína – esta experiência da paternidade única de Deus transborda irresistivelmente para todos os setores da vida individual e social. Não é possível ter experiência de Deus e continuar esta vida individual e social de sempre; não é possível! Dá-se uma mudança radical, até sem ele saber, porque a ética é um transbordamento irresistível da mística. Muitos nem sabem que tem ética, porque a ética nos vem a nossa própria revelia… Nós fazemos o bem sem o saber, porque somos bons. Ser bom é a experiência de Deus, fazer bem é a vivência ética dos homens. Se alguém dissesse a um verdadeiro místico: “Você é um grande homem, um benfeitor da humanidade!” Ele responderia: “Mas como é que se descobriu tal coisa? Eu não sei de nada disso!” Ele não sabe!

Quem tem muita consciência de sua ética não é muito ético, porque a ética é uma coisa quase que inconsciente; é uma coisa irresistível, automática e espontânea. Quando se tem a experiência da realidade divina dentro de nós a gente irradia essa experiência não por meio de palavras, não vai fazer muitos discursos não, talvez nem faça muita beneficência organizada, mas, tem uma benevolência tão grande que de vez em quando a benevolência permanente dele se manifesta também em beneficência externa.

Mas mesmo que não haja beneficência externa, a benevolência interna continua anônima, porque a benevolência é uma atitude enquanto que a beneficência é uma série de atos. Muitas vezes a atitude da benevolência permanente se manifesta em atos de beneficência, um atrás do outro e isso é natural. Mas, é preciso muito mais do que beneficência. Beneficência são atos externos; mas a benevolência interna é praticamente idêntica a própria mística. Quando se tem a experiência da paternidade de Deus, mesmo uma experiência anônima, mas absolutamente certa – essa experiência da paternidade única de Deus é idêntica a experiência da fraternidade universal dos homens. Ele já não pode mais fazer distinções entre amigos e inimigos – isso são coisas artificiais! Ele não pode fazer distinção entre cristãos e pagãos – isso é artificial. Ele não pode distinguir entre brancos e pretos, ou mesmo de outra cor… Tudo isso é artificialismo do nosso ego. Ele vê a natureza humana como sendo filha de Deus e a filiação divina produz a fraternidade humana. Queira ou não queira isso é o que vai acontecer: a experiência da sua filiação divina produz automaticamente a vivência da fraternidade humana, que às vezes se manifesta em beneficência externa, mas ela sempre existe em forma de benevolência interna. Ele quer bem a todas as criaturas de Deus porque ele ama o Deus de todas as criaturas. Se ele tem a experiência do Deus do mundo ele tem a vivência no mundo de Deus. Ele vê Deus em todo o mundo, porque viu Deus em Deus. Quem viu Deus em Deus, também vê Deus em todas as criaturas de Deus. Isto é automaticamente certo!

O fundamento de tudo é ter a experiência de Deus; ter a experiência da verticalidade da mística:… “Amaras o senhor teu Deus!” O senhor do universo é o teu Deus interno! O senhor transcendente do universo é o teu Deus imanente! Deus dentro de ti! Porque se Deus fosse apenas senhor, talvez fosse difícil amá-lo, mas se o senhor do universo é o meu Deus imanente, então, podemos amá-lo com toda a nossa alma, com toda a nossa mente, com todo o nosso coração e com todas as forças do nosso corpo. Isto disse o maior dos mestres!

O Doutor Da lei que tinha pedido isto, não tinha pedido o resto, mas Jesus acrescentou o resto. Primeiro ele deu a resposta ao Doutor Da lei, como ele havia pedido: “Qual é o maior dos mandamentos?” E ele disse: “O maior é este, mas o segundo é semelhante ao primeiro… amarás o teu próximo como a ti mesmo!” Há uma tremenda lógica nestas palavras, ele quer dizer, se tu tens a experiência da paternidade única de Deus e amas a Deus deste modo como ele disse então a conseqüência imediata e irresistível será a seguinte: a vivência da fraternidade universal dos homens. Porque ninguém pode ter experiência vertical sem ter vivência horizontal. Ninguém pode ter experiência divina sem ter vivência humana – isto é absolutamente impossível! Então, ele deu o que há de mais completo: a experiência vertical de Deus e a vivência horizontal dos homens! No fim ele acrescenta, com uma grande síntese compreensiva: “Nestes dois mandamentos se baseiam toda Lei e os profetas”. Que ele quis dizer com Lei e profetas? Lei é a vida externa, profeta é a inspiração interna. Toda vida social, toda vida externa que ele chamava de Lei e também a experiência interna que ele chamava de profetas – que é aquele que fala em nome de Deus – nesses dois mandamentos se baseiam toda a vida externa do homem e toda a sua vida interna. Toda vida social e toda vida espiritual estão sintetizados nestes dois mandamentos. Aqui está a fórmula mágica que podia dar a solução a todos problemas humanos, mas, não deu! Não deu nenhuma solução muito grande. Dá solução em escala pequena, e isso sempre deu. Mas, a humanidade como um todo, mesmo a humanidade cristã do ocidente, não encontrou solução até hoje; estamos guerreando uns aos outros, odiando uns aos outros, matando e defraudando uns aos outros e o maior criminoso é precisamente o cristianismo. O paganismo nunca cometeu tamanhas maldades como o cristianismo organizado! Imagine desde os tempos das cruzadas, desde os tempos da inquisição, quantas maldades foram cometidas em nome de Deus. E em nosso século? Duas guerras mundiais inventadas pelos cristãos. As duas guerras mundiais foram organizadas pelos cristãos europeus. A guerra do Kaiser, que era cristão, a guerra de Hitler, que era cristão… Eles eram cristãos e apelaram para Deus, para o  Cristo, para matarem os seus inimigos… Que monstruosidade… a que monstruosidade nós reduzimos o cristianismo!

Já é tempo de dar uma grande reviravolta e ultrapassar todo o cristianismo dos homens, que é o maior criminoso do mundo e voltar a cristicidade do Mestre – que já existiu durante três séculos e está maravilhosamente eternizado nesta fórmula e nestes dois mandamentos se baseiam toda Lei e os profetas. A Lei e os profetas são a vida integral do homem. A vida externa que é um transbordamento da vida interna é a Lei – e os profetas são a experiência da mística interna. Onde não há profeta e Lei não há vida integral. Onde não há experiência da paternidade única de Deus – que é profeta – e vivência da fraternidade universal dos homens – que é a Lei, a ética – a humanidade fracassou. O grosso da humanidade não vai compreender isto nem no terceiro milênio, nem no quarto milênio, nem no quinto milênio. Não há esperança de que a humanidade compreenda isto. A única esperança é de que algum individuo humano compreenda isto; que um, ou dois ou três compreendam isto e façam isto e deixem que a humanidade faça o que quiser! Nós não podemos converter a humanidade; eu só posso converter a mim! Não posso converter nenhum de vós e muito menos a humanidade. Mas se um único homem individual se converter para isto que o Mestre chama de toda a Lei e os profetas, a humanidade amanhã estará bastante melhor que a humanidade de hoje! Porque pelo menos se cristificou num ponto – não em muitos pontos, mas num ponto. A humanidade terá mais esperanças, porque um homem a mais aceitou a Verdade e viveu a Verdade. Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará… um homem! Sempre houve um ou outro, não houve muitos, mas se os poucos se tornassem muitos… Se em vez de um houvessem dois… E se em vez de dez houvessem vinte… E se em vez de vinte houvessem quarenta e assim por diante… Naturalmente por impulso interno e não por compulsão externa… Não podemos fazer nada por compulsão externa, podemos fazer tudo por impulso interno! Então, a humanidade de amanhã já seria notavelmente melhor do que a humanidade de hoje.

Esta longa fila de 0,00000000s da profanidade do ego já teria 1na sua frente. E segundo a nossa matemática se nós temos um 0 e não colocamos nenhum 1 na frente, temos 0. E se temos dois 0s, então, não temos nada. Se temos mil 0s, também não temos nada! Mas, se colocássemos em frente à esta fila de zeros o algarismo 1 – isto é a linha vertical – que é exatamente o símbolo do nosso eu divino, a linha vertical… Se alguém passasse do 0 para o 1, o que seria dos 0s? Não haveria mais 0! Porque o primeiro 0 depois do 1 é 10, já não é mais 0. Isto quer dizer que se um único homem se convertesse realmente à Verdade ele valorizaria os outros que ainda não se converteram. Ele não os poderia converter, é claro! Não podemos converter os outros, só podemos converter a nós mesmos! Mas, ele, ia criar um ambiente tão propicio para 0s dos egos aí fora que ainda não se converteram que eles pouco a pouco teriam muita vontade de ser bons. Mahatma Gandhi compreendeu isto quando disse que quando um único homem chega a plenitude do amor – isto nós chamamos auto-realização – ele neutraliza o ódio de muitos milhões. Esses muitos milhões não sabem nada dele… Mas, há uma Lei misteriosa: as energias não se perdem! Isto é da Física – as energias físicas não se perdem, todas se transformam uma na outra. A Lei da Constância das Energias, da Física… E por que não podemos aplicar esta Lei da Física à Metafísica? Será que no mundo espiritual as energias se perdem, quando no mundo material nenhuma energia se perde? Mas é claro que nenhuma energia espiritual se perde!

Se eu criar em mim uma auta-voltagem de energia espiritual, se eu chegar a realizar a presença da paternidade única de Deus, amando com toda a minha alma, minha mente, meu coração e minhas forças e se eu viver de acordo com esta experiência da presença de Deus, eu sou um grande acumulador de energias; eu crio uma grande potencialidade energética, uma alta-voltagem de energia em mim. Talvez ninguém me conheça, talvez eu more numa caverna no Himalaia e ninguém saiba nada de mim, talvez eu sou um analfabeto e nunca escrevi um livro… Isso não é importante! O fazer não é importante, o importante é o ser! Se eu sou uma fonte de energia espiritual porque descobri a presença de Deus em mim e vivo de acordo com esta consciência da presença, eu sou uma tremenda força de energia e toda a humanidade é beneficiada porque eu existo! Porque eu, a fonte da energia divina, existo!

As energias não se perdem… Eu não preciso ir lá e fazer comícios para converter os outros, pois isso é coisa muito secundária! Eu devo apenas continuar a viver na minha auta-voltagem de potencialidade espiritual. Se eu tiver oportunidade para falar aos outros, então, tudo bem! Mas, o principal não é isso!

E então, quando um único homem chega à plenitude do amor ele beneficia a muitos milhões que ainda estão nos seus muitos zeros, ele valoriza até estes zeros! Estes outros que ainda estão nos seus ódios, algum dia tem a vontade de deixar os seus ódios e tem vontade até de ser bons. Por que? Eles não sabem o por que!… Receberam uma irradiação, não se sabe donde – existe uma emissora longínqua que irradia suas ondas por todo o mundo, e algum receptor pega as ondas irradiadas não sabe donde vem e tem a vontade de não odiar mais, de não matar mais ninguém e passa ter a vontade de ter fraternidade com seus irmãos… Converte-se! Eu não o posso converter, mas ele se pode converter. Mas eu posso criar em torno dele um ambiente, uma atmosfera, uma aura, uma vibração, uma egrégora tão propicia, que ele está enfastiado de seus ódios e está com fome de ser bom. Isto é a constância das energias das energias espirituais do mundo… Nenhuma energia se perde, todas as energias se perpetuam e se transformam.

Por isso, se neste retiro silencioso, deste santuário do silêncio, aqui no meio do mato, houver uma só emissora de espiritualidade que tenha a experiência real da presença de Deus e que esteja com a vontade de viver de acordo com essa experiência em forma de vivência ética entre os homens, já temos então, o inicio da nova humanidade.

A nova humanidade não vem amanhã, diz o Mestre, o novo mundo não vai começar, o novo mundo já começou!… Mas, vós não o vistes! Vós é que sois o novo mundo em embrião, em semente – potencialmente cada um de nós é o novo mundo, cada um de nós é o Reino de Deus! Falta agora, passar da potencialidade para a atualidade, passar da semente para a planta e é por isso que nós estamos aqui; para despertar a nossa potencialidade e transformá-la em atualidade! E depois, vem a conseqüência de tudo isto: a vivência ética e individual e social – que não é outra coisa do que o transbordamento irresistível da nossa experiência mística da presença de Deus.

Vamos abismarmos profundamente nesta verdade e que a possamos viver futuramente!

Fonte: Palestra do Prof. Huberto Rohden, feita num Retiro Espiritual, na Alvorada, gravada por J.B. Castro.

PAZ  E  AMOR !!!

Namastê…

HeiwaKI

https://heiwaki.wordpress.com/

2 Respostas

  1. lucila

    adooooro este blog, é tudo de bom Lu Bars

    Curtir

    22/08/2011 às 5:48 PM

  2. lucila

    adoooro este bolg, é tudo de bom

    Curtir

    22/08/2011 às 5:49 PM

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