Recorde do teu Verdadeiro Ser!

MEDITAÇÃO NO SER – QUEM SOU EU? – RAMANA MAHARSHI

A MEDITAÇÃO NO SER – RAMANA MAHARSHI

 

 

Esta técnica é a que melhor exemplifica o Jñána Yoga, o Yoga do conhecimento verdadeiro. Átma vichára é o questionamento sobre a natureza real da alma. Esta técnica tem como objetivo eliminar as falsas idéias sobre o Eu e o ego, e nos ensinar a separar o espectador do espetáculo, a consciência que vê e o que é visto.

Quem sou eu, que não sou este corpo?
Sou o ser (que é imaterial, imutável e imperecível).

Quem sou eu, que não sou esta mente que pensa?
Sou o ser (que é serenidade e paz).

Quem sou eu, que não sou os cinco sentidos?
Sou o ser (que é silêncio e comunhão).

Quem sou eu, que não sou as emoções?
Sou o ser (que é ponderação e equilíbrio).

Quem sou eu, que não sou sensações?
Sou o ser (que é satisfação).

Quem sou eu, que não sou desejo, necessidade, vontade?
Sou o ser (que é plenitude).

Quem sou eu, que não sou passado, presente e nem futuro?
Sou o ser (que é atemporal, eterno).

Quem sou eu, que não sou ego, personalidade?
Sou o ser (que é tudo).

Quem sou eu, que não sou os papéis que represento?
Sou o ser (que é a verdadeira natureza, a verdadeira identidade).

Quem sou eu, que não sou individualidade?
Sou o ser (que é uno).

Quem sou eu, que não sou orgulho e vaidade?
Sou o ser (que é simplicidade).

Quem sou eu, que não sou insegurança e medo?
Sou o ser (que é luz).

 

 

Fonte: Extraído do livro Guia de Meditação

 

 

MEDITAÇÃO – RAMANA MAHARSHI

 

Pergunta: O que é meditação (Dhyana)?

Bhagavan: É permanecer como seu próprio Ser sem desviar-se de maneira nenhuma de sua natureza real e sem sentir que você está meditando.

P: Qual é a diferença entre Dhyana e Samadhi?
B: Dhyana é alcançada através de esforço mental deliberado. Em Samadhi não há tal esforço.

P: Quais são os fatores a serem mantidos em vista na meditação?
B: É importante para aquele que está estabilizado no seu Ser (atmanishtha) observar que ele não se desvie nem um pouquinho de sua absorção. Ao desviar de sua natureza real, ele pode ver diante de si refulgências brilhantes, ou escutar sons incomuns, ou considerar reais visões de Deuses aparecendo dentro e fora de si mesmo. Ele não deveria ser enganado por tais coisas e esquecer de Si.

P: Não encontro meios de ir para dentro através da meditação.
B: Onde mais estamos agora? Nosso próprio Ser é isso.

P: Mesmo assim somos ignorantes.
B: Ignorantes do que, e de quem é a ignorância? Se a ignorância é a respeito do Ser existem dois si mesmos (Selves)?

P: Não há dois. Mas o sentimento de limitação não pode ser negado.
B: As limitações são apenas da mente. Você as sentia no sono profundo? Você existe no sono profundo. Você não nega a sua existência então. O mesmo Ser está aqui e agora no estado desperto. Você está dizendo agora que há limitações. O que aconteceu agora é que existem diferenças entre os dois estados. As diferenças devem-se à mente. Não há mente no sono profundo, enquanto que agora ela está ativa. O Ser existe na ausência da mente também.

P: Embora isso seja entendido, não é percebido.
B: Será pouco a pouco, com meditação.

P: Meditação é com a mente. Como ela pode matar a mente para poder revelar o Ser?
B: Meditação é firmar-se a um pensamento. Aquele único pensamento mantém afastados os outros pensamentos. Distração da mente é um sinal de sua fraqueza. Através de constante meditação ela ganha força, ou seja, a fraqueza dos pensamentos fugitivos dá lugar ao duradouro pano de fundo livre de pensamentos. Essa vastidão desprovida de pensamentos é o Ser. A mente em pureza é o Ser.

P: Como a meditação deve ser praticada?
B: Verdadeiramente falando, meditação é fixar-se no Ser. Mas quando os pensamentos cruzam a mente e fazemos um esforço para eliminá-los, o esforço geralmente é chamado de meditação. Atmanishtha (estar fixado no Ser) é a sua natureza real. Permaneça como você é. Esse é o objetivo.

P: Mas os pensamentos aparecem. Nosso esforço serve apenas para eliminar os pensamentos?
B: Sim. A meditação sendo em um único pensamento, os outro pensamentos são mantidos longe. A meditação apenas é negativa com efeito, na medida em que os pensamentos são mantidos afastados.

P: Fala-se em ‘fixar a mente no Ser’ (atma samstham manah krtva). Mas não é possível pensar no Ser.
B: De qualquer modo, por que você deseja meditar? Porque você deseja meditar, lhe é dito para ‘fixar a mente no Ser’. Por que você não permanece como você é sem meditar? O que é esta mente? Quando todos os pensamentos são eliminados ela se torna ‘fixada no Ser’.

P: Se uma forma for dada, eu posso meditar nela e os outros pensamentos são eliminados. Mas o Ser é sem forma.
B: A meditação em formas ou objetos concretos é dita ser Dhyana, enquanto que investigação do Ser é Vichara ou a ininterrupta consciência de ser (de existir).

P: Há mais prazer na meditação do que nos prazeres sensuais. Ainda assim a mente se apressa para obter os prazeres sensuais e não busca a meditação. Por que é assim?
B: Prazer e dor são aspectos da mente apenas. Nossa natureza essencial é a felicidade. Mas nós esquecemos de nós mesmos (do Ser) e imaginamos que o corpo ou a mente são o Ser. É essa identidade errada que gera miséria. O que deve ser feito? Essa tendência mental é muito antiga e tem continuado por inúmeros nascimentos passados. Dessa forma ela tem ficado mais forte. Ela tem que ir antes que a natureza essencial, a felicidade, se afirme.

P: A Meditação é praticada com os olhos abertos ou fechados?
B: Pode ser feita de ambos os jeitos. O ponto é que a mente deve estar introvertida e ser mantida ativa na sua busca. As vezes acontece que quando os olhos estão fechados, os pensamentos latentes se apressam com grande vigor. Pode ser difícil também introverter a mente com os olhos abertos. Requer força da mente para fazer isso. A mente fica contaminada quando ela absorve objetos. Quando não, ela é pura. O principal fator na meditação é manter a mente ativa na sua busca sem absorver impressões externas ou pensar em outros assuntos.

P: Sempre que medito sinto um grande calor na cabeça e, se persisto, meu corpo todo queima. Qual é a solução?
B: Se a concentração é feita com o cérebro, surgem sensações de aquecimento ou mesmo dor de cabeça. A concentração tem que ser feita no Coração, o qual é fresco e refrescante. Relaxe e a sua meditação será fácil. Mantenha sua mente estável gentilmente repelindo todos os pensamentos intrusos mas sem esforço excessivo. Em breve você conseguirá.

P: Como evito de cair no sono enquanto medito?
B: Se você tentar evitar o sono isso significará pensar na meditação, o que deve ser evitado. Mas se você adormecer enquanto estiver meditando, a meditação irá continuar mesmo durante e depois do sono. Ainda assim, sendo o sono um pensamento, devemos nos livrar dele, pois o estado natural final tem que ser obtido conscientemente no estado desperto (jagrat) sem o pensamento perturbado . O sono e o estado desperto são meras imagens na tela do estado nativo livre de pensamentos. Deixe-os passarem desapercebidos.

P: Sobre o que deve-se meditar?
B: No que você preferir.

P: Shiva, Vishnu e Gayatri são ditos como sendo igualmente eficazes.
B: Qualquer um que você gostar mais. São todos iguais em seu efeito. Mas você deveria se firmar a um.

P: E como eu medito?
B: Concentre naquele que você gosta mais. Se um único pensamento prevalece, todos os outros pensamentos são colocados para fora e finalmente são erradicados. Enquanto a diversidade prevalece há maus pensamentos. Quando o objeto de amor prevalece apenas, os bons pensamentos mantém-se no campo. Portanto, segure-se a um pensamento apenas. Dhyana é a prática principal.
Dhyana significa luta. Assim que você começa a meditação, outros pensamentos se aglomeram; junte força e tente aprofundar o único pensamento com o qual você tenta se manter. O pensamento bom gradualmente deve ganhar força através de repetida prática. Depois de ter ficado forte os outros pensamentos vão ser mandados para longe. Essa é a batalha real que sempre acontece na meditação.
A pessoa quer livrar-se da miséria. Isso requer paz da mente, que significa ausência de perturbação devida a todos os tipos de pensamentos. A paz da mente é trazida pela meditação apenas.
O resultado final da prática de qualquer tipo de meditação é que o objeto no qual o buscador fixa sua mente deixa de existir como separado e distinto do sujeito. Eles, o sujeito e o objeto, tornam-se o Ser uno, e esse é o Coração.

P: Por que Sri Bhagavan não nos diz para praticarmos concentração em algum centro particular ou chakra?
B: O Yoga Sastra diz que o sahasrara (o chakra localizado no cérebro) é o lugar do Ser. O Purusha Suka declara que o coração é o lugar dele. Para permitir que o buscador se livre de qualquer dúvida possível, eu lhes digo para trilhar o caminho ou a pista do ‘sentido de eu’ (I’ness) ou o ‘sentido de eu sou’ (I’am-ness) e segui-lo até a sua fonte. Porque, primeiramente, é impossível para alguém levantar qualquer dúvida a respeito dessa noção de ‘eu’. Em segundo lugar, qualquer que seja o meio adotado, o objetivo final é a realização da fonte do ‘sentido de eu sou’ o qual é o dado primário da sua experiência.
Se você praticar portanto a investigação de si, você alcançará o Coração que é o Ser

P: Qual é a diferença entre meditação (dhyana) e investigação (vichara)?
B: Ambos dão no mesmo. Aqueles que não se adequam à investigação devem praticar meditação. Na meditação o aspirante, esquecendo a si mesmo, medita ‘eu sou Brahman‘ ou ‘eu sou Shiva‘ e através desse método se mantém em Brahman ou Shiva. Isso irá terminar finalmente com a consciência residual de Brahman ou Shiva na forma do Ser (da própria existência). Ele irá então perceber que isso é o puro Ser, ou seja, o Si mesmo real.
Aquele que se engaja na investigação começa mantendo-se em si mesmo, e perguntando a si mesmo ‘Quem sou eu?’ o Ser (o Si mesmo real) torna-se claro para ele.
A pessoa imaginar mentalmente que ela é a realidade suprema, que brilha como existência-consciência-contentamento, é meditação. Fixar a mente no Ser para que a semente irreal da ilusão morra, é investigação.
Quem quer que medite sobre o Ser em qualquer imagem mental (bhava) atinge-o apenas naquela imagem. Aquelas pessoas pacificas que permanecem quietas sem nenhuma imagem mental desse tipo atingem o nobre e inqualificável estado de Kaivalya, o estado sem forma do Ser.

P: A meditação é mais direta do que a investigação pois mantém-se na verdade enquanto que a investigação filtra a verdade da irrealidade?
B: Para um iniciante a meditação em uma forma é mais fácil e agradável. A prática dela leva à investigação de si que consiste em peneirar a verdade da irrealidade.
Qual é a utilidade de segurar-se na verdade quando você está cheio de fatores antagônicos?
A investigação de si conduz diretamente à realização ao remover os obstáculos que fazem você pensar que o Ser ainda não está realizado.
A meditação difere de acordo com o grau de desenvolvimento do buscador. Se a pessoa estiver apta, ela deve se manter no pensador, e o pensador irá automaticamente afundar-se na sua fonte, a pura consciência.
Se a pessoa não pode segurar-se diretamente no pensador ela deve meditar em Deus e no devido tempo esse mesmo indivíduo terá se tornado suficientemente puro para se manter no pensador e afundar-se no Ser absoluto.
A meditação é possível apenas se o Ego é mantido. Existe o ego e o objeto sobre o qual se está meditando. O método é portanto indireto pois o Ser é apenas um. Buscando o ego, ou seja, a fonte dele, o ego desaparece.

O que sobra é o Ser. Esse método é o direto.

 

 

 

 

Fonte: Trecho extraído e traduzido do livro “Be as You Are” de David Godman

 

 

 

Namastê!

 

 

OM…

 

 Lavínia Harue

 

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